100% Tokio Hotel - RTL (16.10.09) Parte 4



Markus Kavka: Bem, aqui (na Alemanha) eles continuam sendo rotulados de adolescentes. Há pessoas que não querem fazer parte deste fenômeno “adolescente”, ouvir a música deles e ter a sua própria opinião sobre a música que a banda faz.

O Tokio Hotel entra nos tops com as versões inglesas das suas músicas na Europa. Agora eles são tão bem sucedidos no estrangeiro como na Alemanha.

Joko Winterscheidt: A nível internacional, és mais bem recebido se cantares em inglês. Se você é da Alemanha… Bem, não houve nenhuma banda na Alemanha que tenha cantado em inglês e que tenha tido um tão grande e longo sucesso.
Markus Kavka: E foi por isso que aconteceu o que aconteceu quando eles atuaram no MTV Europe Music Awards.

O Tokio Hotel não estava na gala de entrega de prêmios em Munique, em Novembro de 2007, apenas para atuarem. Eles também estavam nomeados.

Tom: Estamos hoje nomeados para “InterAct” e… Para “Melhor Banda”. Estamos muito ansiosos por esta noite. Não temos nenhuma hipótese de ganhar, não é? De qualquer forma, estamos ansiosos por esta noite.
Joko Winterscheidt: Uma festa de gala na entrega de prêmios internacional, o MTV Europe Music Awards, vai ser transmitido não sei para quantas centenas de países. Quem sabe quantos bilhões de pessoas estão em frente aos seus televisores e uma banda alemã está lá… Acho que, depois do Rammstein, ninguém conseguiu isso antes.
Markus Kavka: A maioria dos telespectadores da Alemanha tinham idades em volta dos 20… Para eles, o Tokio Hotel não são nada e então eles eram do gênero “Resmungam, resmungam – Tokio Hotel, mas que raio de banda é essa ai?”. Alguns deles vaiaram mas a atuação continuou.
Tom: Estamos no EMA. Primeira banda alemã. E vamos atuar aqui! Vamos atuar durante o espetáculo e quero que seja a melhor atuação de sempre. Disse “Que chova no lugar!” e depois disseram “Sim, podemos pôr um plano de fundo com água que parece que cai em cima de vocês e por aí fora.” Eu disse “Não! Quero chuva de verdade para ficar bem molhado em palco”.
Gustav: A nossa preocupação é que o botão para acionar a água tinha de ser ligado 9 segundos antes e só depois é que a água cairia. Aleluia! Foi… Foi demais.
Georg: Estavamos um pouco nervosos.
Tom: Momentos antes pensei que não iria funcionar.
Markus Kavka: Eu já estive em dez Europe Music Awards. Estive também em muitos MTV Video Music Awards nos Estados Unidos e não me lembro de nenhuma atuação como aquela. Durante três minutos e meio, as dez mil pessoas que estavam lá mal conseguiam tirar os olhos de tudo aquilo. O Tokio Hotel passou de uma “banda para garotas adolescentes” para uma banda Rock de verdade da Alemanha, graças àquela atuação.

Surpresa da noite: O Tokio Hotel ganhou o prêmio de melhor aparição na Internet (InterAct).

Bill: Foi como um filme e eu só conseguia pensar “Não!”. Olhei para todo mundo e só fazia chorar e eu pensava “Não chora! Não chora!”
Tom: Fantástico! Nós apenas tinhamos visto esta coisa nas mãos da Madonna e outros artistas, não foi? Que legal!

Agora é tempo de conquistar os Estados Unidos da América. O Tokio Hotel assinou um contrato com uma gravadora que tornou 50 Cent, Gwen Stefani e Lady Gaga em estrelas mundiais.

Martin Kierszenbaum: Vi um vídeo na internet. Mais tarde descobri que o vídeo era de uma música chamada “Scream”. Vi primeiro em alemão e imediatamente fiquei espantado! Ambas energias e músicas eram fantásticas.

De qualquer forma, o sucesso nos Estados Unidos da América também foi imediato.

Tom: Depois de tudo isso, não é só chegar à América e as pessoas dizerem coisas do gênero “Oh sim! São demais. Vocês são uma banda europeia, receberam uma quantidade enorme de prêmios na Europa.” Eles não querem saber disso. É como se ninguém nos conhecesse lá.
Bill: De uma maneira ou de outra, estavamos nos nossos quartos de hotel desde as oito horas da manhã até às onze da noite dando entrevistas para revistas de estudantes, pequenas coisas e por aí fora. Até que alguém "grande da mídia" falou de nós.
Tom: Por exemplo, a rádio é muito importante na América, e na Alemanha lançamos o álbum completamente sem isso – na realidade, todos os nossos álbums foram lançados sem rádio nenhuma. Isso não se imagina sequer na América.
Jojo Wright: O Tokio Hotel veio aqui um dia. São, provavelmente, os rapazes mais loucos e estranhos que já vi em toda a minha vida. Uma coisa fantástica é, quando você os vê pela primeira vez, nunca mais esquecer deles. As músicas são poderosas e estão relacionadas com os jovens de todo o mundo.

O trabalho rende. Shows em Los Angeles e nova Iorque estão completamente esgotados numa questão de horas.

Collien Fernandes: E o que descreve um pouco o Tokio Hotel é que eles são completamente diferentes. E mesmo ninguém na América viu alguém como eles. Continua não existindo lá.
Markus Kavka: Acho que ninguém imaginaria que, uma banda como eles , saisse daqui (da Alemanha).

A banda não se permite ter paragens. A terceira turnê europeia está agendada para logo a seguir da sua viagem à América. Depois veio o choque.


Bill:
Eu não estava bem de saúde. Estava rouco e estava avisado disso, mas eu sabia que tinha de atuar e de cantar, não o fazer estava fora de questão. Aqueci minha voz e percebi “Hmm, está forçando muito hoje”. Mas fui para palco, estava com o meu ato de palco, completamente normal, como sempre. O show estava esgotado, estavam lá 10 mil pessoas. De repente notei que já não saia nenhum som da minha garganta. Fiquei ali em pé, nada – Bem, só algumas partes é que saiam. Já não tinha nada sob controle. Estava tão envergonhado nesse momento porque só conseguia imaginar o que é que as pessoas presentes estariam pensando. Mas afinal ninguém sabia o que se estava acontecendo.
Tom: Pode-se dizer que o lugar estava cheio de gente e todos se perguntavam “O que é que ta acontecendo? Algo não esta bem… Não esta bem”.
Bill: Todos ficaram nervosos. A equipe estava olhando. Todos sabiam “Ok, alguma coisa correu mal” e eu apenas queria dizer a todo mundo que estava sem voz. Não era apenas estar rouco.

Durante o intervalo tornou-se tudo claro: Bill não pode atuar.

Bill: Depois sai do palco para trocar de roupa e reuni todo mundo.
Tom: Nós deixamos o palco e só me lembro de alguém me dizer “Tom, Tom, Tom, vai para a tenda”.
Bill: Estava completamente desfeito. Estava… Acabado. Estava… Sim, estava chorando. Eu estava… Não tinha nenhuma, mesmo nenhuma voz. E continuava a ter 18 concertos depois deste, penso Eu. Oh, foi o pior que poderia ter me acontecido.
Tom: E é tudo. Apenas o fizemos desta forma por causa da voz dele.

Bill volta para a Alemanha para ver seu médico. A banda teve de cancelar a turnê.

Tom: Não podemos atuar esta noite. Infelizmente, o Bill não pode estar conosco hoje. Ele está a caminho da Alemanha para o seu médico lhe examinar a voz.
Bill: A minha maior base é levada. Tudo em que a minha vida é baseada desapareceu. Estava tudo baseado na minha voz. Tudo mesmo.
Georg: Naquele momento, senti uma enorme pena do Bill porque sabia exatamente o que… Como ele se sentia responsável pelo que tinha acontecido e como ele… Como ele tinha “arruinado” tudo naquele momento.

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